30 de agosto de 2014

Perdão



 

Anoitecer em angústias triviais.
Cidade mórbida entre laços de perdão.
Dê-me ao ímpeto sonho.
E sonhar espairece em contramão.

Tento me encontrar, sem saber o rumo em questão.
Procuro, ainda, um coração.


Perece, cria, agoniza. Sem fim é o meu eu, sem fim seu caminhar. Se um dia estivesse sem ele, à mim, aquele, saberia onde terminar.
Pode parecer loucura, mas nem sempre hesitei. Se um dia vieste ao encontro, alcançaria, talvez, com certeza.
É amor, como de praxe, ou amizade, quiçá em parte. Mesmo assim me encontre, para que eu saiba a resposta. Muito ainda preciso saber, em virtude de dizer se capaz serei.
Poder. Poder.
Será que posso? Sei? Saberei?
Perdoar. Mesmo não sei.
E se for em vão. Um agrado, não sei à quem, ou talvez mentira, pra mim, ou pra ninguém.
Mesmo que sim, esqueça.
Dizem que é boa a sensação. Bom pra quem, não me falaram. Diz quem? Vai saber.
Já perdoei, esqueci, tanto faz. Pra você, talvez, permaneça.
Na amargura, rancor, mágoa. Mesmo assim, quem sabe. Ela vem de qualquer jeito, a tristeza.
Um dia, quero sim. Mas ainda não. Não. Não pra mim.





Verbum volat, scriptum manet
Corvo Branco