30 de agosto de 2014

Perdão



 

Anoitecer em angústias triviais.
Cidade mórbida entre laços de perdão.
Dê-me ao ímpeto sonho.
E sonhar espairece em contramão.

Tento me encontrar, sem saber o rumo em questão.
Procuro, ainda, um coração.


Perece, cria, agoniza. Sem fim é o meu eu, sem fim seu caminhar. Se um dia estivesse sem ele, à mim, aquele, saberia onde terminar.
Pode parecer loucura, mas nem sempre hesitei. Se um dia vieste ao encontro, alcançaria, talvez, com certeza.
É amor, como de praxe, ou amizade, quiçá em parte. Mesmo assim me encontre, para que eu saiba a resposta. Muito ainda preciso saber, em virtude de dizer se capaz serei.
Poder. Poder.
Será que posso? Sei? Saberei?
Perdoar. Mesmo não sei.
E se for em vão. Um agrado, não sei à quem, ou talvez mentira, pra mim, ou pra ninguém.
Mesmo que sim, esqueça.
Dizem que é boa a sensação. Bom pra quem, não me falaram. Diz quem? Vai saber.
Já perdoei, esqueci, tanto faz. Pra você, talvez, permaneça.
Na amargura, rancor, mágoa. Mesmo assim, quem sabe. Ela vem de qualquer jeito, a tristeza.
Um dia, quero sim. Mas ainda não. Não. Não pra mim.





Verbum volat, scriptum manet
Corvo Branco

11 de fevereiro de 2014

História #1: O Bosque: Guardiões (Bônus)



Dê play antes de ler. ;)


O BOSQUE



Os Guardiões e seus poderes

Responsáveis pela harmonia do mundo de Humius, dez são os Guardiões, que agora retornaram ao seu posto, trazendo novamente a paz a todos os seres que ali habitam.

Guardião da Água (Odali): Responsável por proteger as águas, e todos os seres que nela vivem. Com nuances azul claro e calda de peixe, controla a água em todos os seus aspectos. Mantém o ciclo da água em harmonia, permitindo que todo o reino seja banhado pelos rios e lagos que nele permeiam.

Guardião do Ar (Arkon): Protetor do ar, e de todos os seres que nele vivem. Tons de azul o recobrem com esplendor e controla o ar em todos os seus aspectos. Os pássaros sempre à sua volta não deixam dúvidas que o ar é seu elemento.

Guardião do Espírito (Heriel): A evolução espiritual é sua determinação. Branco como as nuvens, em tons leves, é o único capaz de se comunicar com os espíritos ancestrais, o tornando guia dos demais, e ajuda aqueles que buscam a iluminação. É responsável pela ligação de todo e qualquer ser com o mundo espiritual.

Guardião das Florestas (Zoires): Protege as florestas e tudo que nela se produz. Verde como as árvores, com leves tons de jasmim. Guia todos que vivem nas matas e controla todo e qualquer espécie de planta, o tornando conhecido também como o guardião do sustento.

Guardião do Fogo (Lamil): Controla e ao mesmo tempo protege todos do fogo. Esse elemento essencial porém destrutivo, vital para muitos de Humius. Vermelho como lava e brilhante como o sol. 

Guardião da Magia (Kápiro): Permite que a magia seja usada em Humius, protegendo e proibindo todos da magia negra. Nuances violeta o cobrem, sempre disposto a ensinar aqueles que querem aprender o dom da magia. Também é responsável por banir a magia daqueles que a usam para o mal.

Guardião da Morte (Dangir): Negro como a noite, é um Guardião muito temido. Apenas cuida da passagem daqueles que se foram, orientando e guiando seu caminho, porém gera receio em muitos. Responsável por todos os seres de Humius e sua ascensão.

Guardião da Terra (Címio): Cuida das terras de Humuis e de sua fertilidade, fazendo com que seus poderes se interliguem diretamente ao Guardião das Florestas. Marrom é sua cor, e controla a terra em todas as suas nuances.

Guardião do Universo (Totalis): Mantém tudo em harmonia, não permitindo que os poderes de um Guardião entrem em conflito com outro. Sem ele os Guardiões se perderiam em suas próprias tarefas. Responsável por manter a ordem. Quando voa, estrelas parecem sair de seu corpo brilhante como a lua. Também cuida do portal entre os mundos, impedindo e controlando a passagem entre eles.

Guardião da Vida (Lumus): Esse Guardião é responsável pelos nascimentos. Controla também as reencarnações e cuida para que haja equilíbrio entre o bem e o mal em todo o reino. Translúcido e brilhante, faz com que a vida em Humius esteja sempre em crescimento.


Um dia, talvez, quem sabe. Uma menina se tornou adulta, e fez com que tudo voltasse a ser como era, como deveria ser. Assim, não sei, por um momento. Fez de tudo um sonho, se tornar realidade.


Agradecimentos:
Ricardo, meu amigo, irmão, que me deu força pra não desanimar.
Larissa, grande amiga e leitora assídua.
A vocês e a todos que leram a história, um grande abraço e até a próxima.


Verbum volat, scriptum manet
Corvo Branco

10 de fevereiro de 2014

História #1: O Bosque - parte 6 (final)


Ana e Gabriel, esgotados, famintos, mas com a esperança de que tudo terminasse logo. Anoitecera e ainda estavam longe do lugar que avistaram, que a essa hora brilhava ainda mais. Depois de muito andar, param para descansar e apenas alguns minutos foram suficientes para que o cansaço dominasse seus corpos e ambos adormecem.

- Gabriel, acorde!

Já era dia, e Ana acorda Gabriel para que continuassem seu caminho.

- Encontrei essas amoras aqui perto. - Diz Ana, estendendo a mão para Gabriel.

- Como sabe que não são venenosas? - Gabriel fala com preocupação.

- Bom, eu comi, e estou viva. - Ana responde rindo para Gabriel.

- Ora, só você mesmo pra achar graça na situação que estamos, completamente perdidos.

- Não temos tempo a perder. Vamos logo! - Ana puxa Gabriel pelo braço.

Continuam caminhando, cada vez mais perto do seu destino. Até que percebem que o chão ao seus pés muda. Percebem estar pisando em algo brilhante e liso como mármore, e que parecia ser um caminho.

- Isso parece levar àquele lugar. - Diz Gabriel.

- Vamos tomar cuidado, pode ter alguém por aí. - Ana se preocupa.

Os detalhes e a perfeição do caminho de mármore fizeram com que ambos ficassem apreensivos. Não sabiam o que viria pela frente. Até que ao longe avistam alguém caído e ao perceber que é Yan, Ana corre para ver o que aconteceu.

- Yan!

Ele acorda, mas está debilitado, a batalha com a Sacerdotisa quase o matou. Se assusta antes de perceber que se tratava de Ana e Gabriel.

- São vocês. O que aconteceu? 

- Fomos parar em algum lugar e viemos caminhando até aqui, seguindo uma luz que vimos ao longe. - Disse Ana.

Yan olha em volta e tenta ativar seus poderes para analisar o mapa que guardava em seu colar, sem êxito. Estava fraco demais. Tenta novamente e consegue por alguns instantes.

- Acredito que estamos próximos do Altar. - Diz.

Ele então se levanta calmamente e os três continuam pelo caminho. Após algum tempo chegam em frente a uma longa escada, que parecia levar ao Altar da Sabedoria. Não tinham certeza, podia ser qualquer Altar, ou até mesmo outra coisa. Continuaram e subiram os degraus.

- E agora? - Ana questiona.

Uma enorme porta que brilhava como diamante. Não havia qualquer fechadura, apenas os dizeres: "Livre os puros. Longe os infiéis". Ambos se aproximam, não fazem ideia de como abrir aquela porta.

Ana coloca sua mão na porta, e tem a mesma sensação de quando tocou naquele ser azul, o Guardião do Ar. Parte da mensagem se apaga, ficando apenas: "Livre os puros". A porta então se abre e é possível ver um lindo lugar, que brilhava ainda mais, mas não cansava os olhos, era maravilhoso e todos se encantam.

Quando iam entrar, percebem que alguém chega atrás deles. Era a Sacerdotisa, e eles se assustam.

- Não deixarei que você faça isso! - Diz a Sacerdotisa, apontando para Yan.

Yan imediatamente empurra Gabriel e Ana para dentro do Altar e num movimento rápido entra e toca na porta por dentro. Os dizeres mudam novamente: "Longe os infiéis.". E a porta se fecha, deixando a Sacerdotisa presa do lado de fora.

- Finalmente o Altar da Sabedoria. - Diz Yan.

- Esperei muito por esse dia. Sabem quanto tempo levei pra acabar com os Guardiões?

Ana e Gabriel se olham e não entendem. Foram enganados o tempo todo por Yan, que precisava dela, a única de espírito puro o suficiente para conseguir abrir a porta do Altar.

- O que está acontecendo? - Ana pergunta.

- É isso mesmo, enquanto aprendia a controlar os poderes do colar encontrei um pergaminho antigo, com magias proibidas. As estudei sozinho e aprendi uma maldição que permitia prender qualquer um em outra dimensão. Diziam que ninguém tinha poder pra destruir os Guardiões, então dei um jeito de tirá-los do meu caminho, sem precisar destruí-los.

- Mas por que fez isso? - Questiona Gabriel, que não acreditava no que ouvia.

- Aqui dentro se encontra uma relíquia que possui todos os conhecimentos dos Guardiões, quem obtiver essa relíquia se torna a pessoa mais poderosa de Humius. Eu vim pegá-la. - Responde Yan.

Ana entende que foi enganada, mas não pretende desistir tão fácil. Estava ali com o intuito de salvar os guardiões e é o que ela pretendia fazer. Olha em volta e não vê nada que parecia tal relíquia. Havia apenas algumas portas e alguma delas levaria à ela.

Ela puxa Gabriel e ambos correm, entrando na primeira porta que veem pela frente. Uma sala enorme, com diversas estátuas e muitas outras portas. Aquele lugar parecia um labirinto, e a cada sala que entravam mais e mais portas surgiam. Passaram por salas com jardins enormes, outras com livros, algumas com artefatos misteriosos. Os dois pretendiam achar a relíquia antes de Yan.

Depois de muitas salas se deparam com uma completamente branca, em formato circular. No centro havia uma pequena pedra negra suspensa no ar, flutuando levemente. Seu interior parecia se mover enquanto continuava imóvel no ar.

- Com certeza deve ser a relíquia! - Diz Ana ao analisar aquele misterioso objeto.

A porta se abre e Yan entra na sala.

- Até que enfim encontrei vocês. E parece que encontraram a relíquia pra mim. - Yan diz com ar de superioridade.

Os dois não queriam permitir aquilo. Tal poder não podia estar nas mãos de alguém frio como Yankel. Ana corre em direção à pedra, mas Yan usa seus poderes. Apesar de estar fraco consegue derrubá-la. Gabriel então corre e consegue pegar a pedra. Yan tenta impedir e se aproxima.

Ao pegá-la, Gabriel percebe ser extremamente frágil e ameaça joga-la no chão se ele se aproximasse. Yan para a apenas alguns metros dele e diz.

- Você não faria isso, quem destruir a relíquia dos Guardiões será amaldiçoado. Você morrerá e ficará vagando por esse mundo eternamente.

- Melhor isso do que ver esse poder nas mãos de alguém como você. - Diz Gabriel.

Sem que percebam, Ana levanta e vai até Gabriel, tomando a pedra das mãos dele.

- O que está fazendo? - Pergunta Gabriel.

- Não permitirei que isso aconteça. Estou aqui por algum motivo, preciso salvar os guardiões e não deixarei que pegue esse poder.

Ana joga a pedra no chão. Ela quebra e um enorme poder emana dela. Ao fazer isso um portal se abre, e os Guardiões sabem por ele. Estavam livres da sua prisão em outra dimensão. O poder da pedra foi capaz de libertá-los.

- Nãaao! - Yankel tenta impedir, tarde demais.

Os Guardiões imediatamente retiram o colar de Yan e o jogam no portal antes que ele se fechasse. Fadado a ficar preso por toda a eternidade.

Ana cai, e Gabriel imediatamente a segura.

- Por que fez isso? - Ele fala, chorando.

- Não podia deixar aquilo acontecer, tinha que impedir Yan.

Gabriel, com Ana em seus braços, a mulher que sempre amou. Não podia perdê-la agora. Ele olha para os Guardiões, se perguntando se nada podiam fazer.

Ana fecha seus olhos, enquanto uma lágrima escorria em seus olhos.

- Eu cumpri minha missão. Salvei os Guardiões. - Sussurra.

Gabriel vê enquanto ela morre em seus braços. Não havia mais nada a se fazer. Ela se foi.

- Eu te amo, Ana - Ele diz, mas ela não podia mais ouvi-lo.



Algum tempo depois...

A normalidade volta à Humius. Com a volta dos Guardiões finalmente a harmonia reina naquele lugar. Gabriel não voltou para casa, quis ficar ajudando os Guardiões. Não havia mais nada que o fizesse querer voltar pra casa, Ana não estaria esperando por ele em seu mundo.

Passava os dias andando por Humius, ajudando a todos que necessitassem. Infelizmente não havia o que fazer por Ana, nem os Guardiões podiam alterar a maldição por ter quebrado a relíquia. Gabriel ainda sente a presença dela perto dele, e sabe que ela o acompanha em todos os lugares.

Uma longa história de amor. Gabriel não soube se era correspondido, e talvez nunca saberia. Tinha esperanças de, quem sabe um dia, revê-la em uma outra vida. A única certeza era de que seu amor por ela, esse sim, nunca morreria.


FIM
(Bônus)

Verbum volat, scriptum manet
Corvo Branco

29 de janeiro de 2014

História #1: O Bosque - parte 5



Acordaram cedo e caminhavam pela floresta, Ana e Gabriel seguiam Yan, na esperança de encontrarem aquele que pedira ajuda a ela. Horas já haviam se passado até que pararam para descansar.

Ana não tinha certeza se podia confiar em Yan, mas ele não lhe parecia suspeito. As escrituras do pergaminho a faziam pensar, e acreditava que ele apareceu em um momento muito oportuno, talvez até premeditado. A primeira pessoa que encontram, e estava indo para o lugar certo, procurando as mesmas respostas? Podia ser apenas uma preocupação sem motivos, mas ela preferiu ficar atenta.

- Nosso caminho ainda será longo, precisamos ir mais rápido. Depois de comer continuaremos pelo rio.

Os dois não entenderam muito bem o que Yan disse, pois não viram nenhum barco, mas não questionaram.

Yan pega alguns peixes no rio para que matassem a fome, enquanto Gabriel busca alguns gravetos para assá-los. Ele pede para que Gabriel e Ana se afastem e os dois ficam maravilhados com o que veem. Ao murmurar algumas palavras, o colar de Yan brilha como nunca, liberando chamas que caminharam em volta de seu corpo como serpentes agarrando sua presa. Ele então aponta sua mão para os gravetos em um movimento rápido, fazendo com que as chamas fossem jogadas até eles.

Eles não sabiam dos poderes de Yan e ficaram surpresos, ele era mais poderoso do que pensavam. Não apenas um grande guerreiro, mas também detinha enorme poder mágico. Teria Yan poder suficiente para matar um Guardião?

Enquanto comem, conversam sobre sua jornada.

- Quanto tempo ainda temos de viagem? - Ana pergunta.

- Alguns dias, talvez uma semana. Não sei ao certo.

- Como sabe que estamos no caminho certo para o Altar da Sabedoria? - Diz Gabriel.

Yan faz um gesto calmo e recita algumas palavras. As chamas novamente saem do pingente em seu pescoço, mas dessa vez começam a formar imagens no ar. Um mapa que mostrava todo o mundo de Humius.

- Consegui esse mapa quando saí de minha cidade. Não tenho certeza da sua veracidade, pois poucos sabem como chegar ao Altar, mas é o que tenho para tentar.

Ele então percebe que Ana e Gabriel estavam curiosos, não pelo mapa, mas por seus poderes.

- Esses pingentes são dados aos guerreiros mais poderosos e vários são seus poderes, variando pelo que ele é feito. O meu foi forjado com chamas de dragão, e por isso possui o poder do fogo. Não aprendi a dominá-lo completamente, ainda tenho muito o que aprender.

- E que tipos de poderes você possuí? - Ana questiona.

- Acho melhor continuarmos nossa viagem.

Ana estranha a relutância de Yan, mas prefere não insistir.

- Seguiremos pelo leito do rio. Segundo o mapa há um vilarejo poucas horas daqui, lá conseguiremos um barco. - Diz Yankel.

Quase anoitecendo, quando avistam alguém nas margens, ao longe. Yan fala para terem cautela, não era possível identificar quem poderia ser. Se aproximam devagar, e percebem ser uma bela moça, longos cabelos em tons esverdeados que quase tocam o chão e pele bem clara. Imóvel, com os olhos fechados.

- Acredito que é uma Sacerdotisa, são extremamente poderosas e podem prever o futuro. Não costumam ser amistosas com quem interrompe sua meditação. - Yan Sussurra.


Ana olha para ela e não consegue ver aquele ser fazendo mal a alguém, é extremamente linda e de uma suavidade inexplicável.

Eles continuam andando, bem devagar, passando pela Sacerdotisa. Até que ela abre os olhos e os encara.
Todos ficam imóveis, até que ela começa a levitar, assim como tudo a sua volta. Pedras, folhas, e a água do rio voam inexplicavelmente.

- CORRAM! - Grita Yan, puxando Ana e Gabriel pelo braço.

Os três correm, mas não conseguem fugir da Sacerdotisa. Ela aparece mais à frente, e ambos se perguntam como ela foi capaz de fazer aquilo.

Yan logo pega seu machado, mas sabe que seus poderes não são capazes de derrotá-la.

- Corram, e não parem por nada! - Yan fala, enquanto se prepara para o confronto inevitável.

- Aconteça o que acontecer, não voltem por mim. Vocês devem continuar sua jornada.

- Mas Yan, como chegaremos ao Altar? - Gabriel diz preocupado.

Yan novamente usa os poderes do colar. Chamas permeiam todo seu poderoso machado, o tornando extremamente poderoso. Ele então aguarda, sabe da magnitude do poder à sua frente, e não pretende atacar se não sentir que será atacado.

Ana e Gabriel correm, mas ela para e se esconde atrás de uma árvore.

- O que está fazendo Ana? Vamos rápido.

- Não deixarei o Yan sozinho, ficaremos e o ajudaremos caso precise.

Gabriel sabia que nada poderiam fazer se Yan precisasse de ajuda, mas conhecia Ana, e sabia que não havia forma de fazê-la mudar de ideia. Ele então se esconde junto dela.

A Sacerdotisa continuava parada, na frente de Yan, o encarando. Até que ela chega mais perto e diz:

- Você... Yankel, o grande guerreiro. Você será o responsável...

Não termina a frase, deixando todos perplexos. Responsável pelo que? Se pergunta Ana.

Ela lança um feitiço contra Yan, que rapidamente se defende com seus poderes. Chamas o rodeiam, impedindo que a Sacerdotisa o atingisse, mas não aguentaria por muito tempo.

Ele espera uma brecha, sai ao ataque e com toda sua força lança um golpe contra ela, consegue acertá-la e ela cai, mas o golpe não parece ter sido muito efetivo, sequer a feriu. Rapidamente ela se levanta e o ataca novamente, um feitiço ainda mais forte. Yan não consegue conter por muito tempo e é atingido, desviando o ataque com seu braço, que sofre graves lesões. Ele tenta atacar novamente, mas segurando seu machado com apenas um dos braços não consegue realizar um golpe certeiro, e novamente é atingido.

Ana não aguenta, e ao vê-lo caído, sem reagir, corre para socorrê-lo. Gabriel imediatamente vai atrás, no intuito de protegê-la.

- Yan! - Diz Ana preocupada.

A Sacerdotisa os encara, enquanto Gabriel fica entre as duas para que ela não atacasse Ana.

- Vocês devem seguir seu caminho, devem salvar nosso mundo, esse é seu destino.

Yan reage e tenta se levantar, rapidamente recita algumas palavras e usa todo o poder que é capaz, enormes chamas vão em direção à Sacerdotisa e a atingem em cheio, fazendo com que caia e quase fique desacordada. Yan não resiste e desmaia, usou toda sua energia para tal feitiço.

A Sacerdotisa, num ultimo suspiro de força, lança uma magia incrivelmente poderosa, todo o ambiente à sua volta brilha, e todos são atingidos por uma grande explosão e desaparecem.

Ana, nos salve, só você tem o poder par...

Ana acorda, atordoada. Acabara de sonhar novamente com o Guardião do Ar, que pedia por ajuda. Tenta ver onde está, mas está muito claro e sua visão demora para se habituar. Aos poucos recobra os sentidos, e vê Gabriel caído alguns metros adiante. Ela vai até ele e tenta acordá-lo, inutilmente. Olha em volta e tenta reconhecer onde estão, não vê Yan em parte alguma.

Onde estará Yan? O que faremos agora sem ele? Sequer sei onde estou. - Pensa.

Alguns minutos depois, Ana já havia tentado pensar em alguma coisa, mas em nada conhecia aquele mundo. Estava completamente perdida. Gabriel acorda, confuso.

- O que houve?

- Também não sei. Parece que fomos transportados pra algum lugar. Não sei onde estamos. - Responde Ana.

Ao analisar o local, ele percebe uma luz bem forte, extremamente longe. Os dois tentam ver o que é, mas está muito longe.

- Será que é o Altar da Sabedoria?

- Vamos conferir! - Diz Ana, sorrindo para Gabriel.

Ambos não faziam ideia de onde estavam, nem pra onde ir, resolveram arriscar e ver do que se tratava aquela luz. Sentiam estar no caminho certo e foram em direção aquele lugar misterioso, no ponto mais alto. Ana se preocupava com Yan, mas sequer sabia como procurá-lo. Teriam que continuar sem ele. Estariam finalmente chegando ao fim de sua jornada?


Continua...
Verbum volat, scriptum manet
Corvo Branco

26 de janeiro de 2014

Martirizar


De forma singela, passageira
A vida nos leva pelo ar 
Sem eira, nem beira
Desse jeito, sem avisar

Assim como os pássaros se vão
No inverno, no momento
Eu também me vou, são
Pra bem longe, pouco atento

Atrás os medos, desejos
Sonhos e vida, ensejos
Assim eu vou, sofrendo ao vento
Pouco vivi, e morri, no relento

Mas essa é a vida, pouco amiga
Me contou alegrias, magia
Só não disse o quanto sofreria
Mesmo assim me levou, nem liga

Hoje é o fim, acho que sei
Só que muito deixei
Caminhando, bem devagar
Acordo, e descubro só sonhar.


Verbum volat, scriptum manet
Corvo Branco