30 de novembro de 2013

História #1: O Bosque - parte 2



Muitos anos se passaram. Crianças brincam entre as árvores e mal sabem sobre as lendas que por ali pairavam, ficando esquecidas ao decorrer do tempo. No emaranhado de árvores muitas flores cresceram, formando deslumbrantes jardins e tirando o ar sombrio que um dia já foi predominante.

Ana perdera a cor de seus cabelos, não era mais jovem como antes e suas visitas ao bosque ficaram cada vez menos contantes, não se sentia mais completa quando estava lá. As pessoas, o novo ar e as novas paisagens a fizeram apenas desistir de seu lugar preferido, porém ela nunca se esqueceu do que aconteceu naquele dia.

Um dia comum, como outro qualquer naquela admirável cidade. A não ser pelas vozes que a fizeram acordar. Não compreende o que está acontecendo, algo parece perturbar as pessoas na rua. Ela vai até sua janela e observa para tentar obter respostas. Fica sem palavras para o que vê.

- Como isso é possível? - Diz Ana completamente admirada.

Ao colocar um casaco e ir para a varanda, vê dezenas de pessoas nas ruas, também admirando o fabuloso acontecimento, nunca antes visto naquela região.

- Nunca nevou por aqui, isso é fantástico! - Exclama com espanto.

- Dona Ana, olha que legal. Neve! - Fala de longe uma menina.

- Sim, é realmente maravilhoso querida. - Responde Ana.

Ela então caminha, analisando cada parte da cidade coberta pela neve, e quando menos percebe, chega a entrada do bosque. Para perto da ponte onde vira aquela inexplicável criatura, se lembra como se fosse ontem.

- Há quantos anos não venho aqui... será que um dia o verei novamente?

Entrando no bosque percebe que não há ninguém ali. Talvez pelo improvável evento, todos ficaram muito entusiasmados e sequer queriam sair de seus quintais. Ela nota então que a neve não só cobriu tudo de branco, como cobriu seu coração de sensações. O bosque não estava como antes, da forma que ela o adorava, mas esses novos tons claros fizeram despertar nela o mesmo sentimento que podia sentir quando era jovem. Se sentia em casa, e só queria aproveitar aquele momento.

Eram numerosas as lembranças daquele lugar, das noites que caiu no sono ali mesmo enquanto ouvia apenas o leve som dos pássaros e o majestoso rio percorrendo a sinuosidade dos seus caminhos. Estava emaranhada por recordações quando percebe algo que a deixa atordoada e completamente entusiasmada.

- Essa sensação... tudo como naquele dia. - Pensa admirada.

Ao seu redor flocos de neve pairam em pleno ar, e ela sabe o que estava acontecendo. Aquele estranho ser estava por ali, e ela precisava encontrá-lo. Ana olha em todas as direções, mas não consegue ver nada. Sua visão começa a ficar estranha, até que tudo fica escuro e, sem perceber, ela desmaia.

Ela acorda e vê o brilho da lua no céu, não sabe por quanto tempo dormiu e fica preocupada com o que pode ter acontecido. Até que percebe uma luz distante e vai ao seu encontro.

Se aproxima e defronta-se com o deslumbre em vê-lo novamente. Ana fica perplexa com sua beleza e se esquece de qualquer coisa. Mas algo está errado, percebe que ele está fraco, mas antes que ela possa fazer algo, seu corpo se desfaz em luz e desaparece por completo. Ela percebe o que aconteceu, e fica triste por não poder fazer mais nada. O ser morre bem na sua frente, sem que ela sequer saiba quem ele é.

Logo a neve começa a se desfazer e o bosque ganha vida novamente. Mesmo com o escurecer da noite foi possível ver as flores renascendo à sua volta. Foi então que Ana percebeu a ligação que havia entre o bosque e a criatura. Quando estava doente, o bosque estava sombrio, até que o ajudou e então o bosque ganhou luz e vida. Agora nevara pois ele estava partindo, e talvez não houvesse nada que ela pudesse fazer.

- Seria apenas uma criatura que vive no bosque? Porque teria uma ligação tão forte com este lugar? - Pensa.

Talvez fosse algo mais, Ana não fazia ideia. No chão onde ele estava ainda havia vestígios de sua luz em tonalidade azul, Ana ficou a observar enquanto levemente desaparecia. Até que percebe algo no chão, um pequeno pergaminho.

- Um pergaminho? Será que é uma mensagem? - Ana olha desconfiada.

Abre e observa o que há naquele misterioso documento, porém não entende o que está escrito, com certeza é um dialeto nunca antes visto por ela. As letras eram douradas e pareciam saltar do papel, era uma visão incrível. Apesar de não conseguir lê-lo, sabia que teria que decifrá-lo se quisesse obter respostas. Quem sabe a chave para todos os mistérios estivesse ali.

Voltou pra casa e colocou o pergaminho sobre a mesa, tentando analisá-lo de todas as formas, mas não conseguiu pensar em nada que pudesse ajudar a solucioná-lo. Adormeceu enquanto o observava, e não pôde ver quando um feixe de luz branca inacreditavelmente sai dele e as letras saltam para todos os lados. Ela acorda assustada e admira o que vê. Podia ver a mensagem por todos os lados, e agora conseguia entendê-la.

- Então é mesmo uma mensagem, preciso descobrir porque ele a deixou pra mim. - Ana diz entusiasmada.

Continua...
Parte 3

Verbum volat, scriptum manet
Corvo Branco

27 de novembro de 2013

História #1: O Bosque - parte 1



Era possível ouvir o som do vento nos galhos, o leve canto dos pássaros na imensidão das árvores. O rio cortando por entre a mata era o mais inquieto dos sons, construindo caminhos com seu véu de águas e dividindo em dois aquele incrível lugar.

Um beija-flor se aproxima da flor em seu cabelo, e em um toque singelo a faz despertar. Mais uma vez caiu no sono e não viu o tempo passar. O sol nascera, e percebeu que mais uma noite passou deitada em meio ao emaranhado de folhas.

O Bosque da Solidão, como era chamado, por ficar quase sempre abandonado. Poucos moravam naquela região, ali havia uma pequena cidade, e apenas ela se atrevia a ir lá. Era um lugar sombrio, e muitos acreditavam ser um lugar amaldiçoado. Muitas lendas haviam ao redor daquela floresta, mas ela pouco se importava, sentia-se completa quando estava lá, e passava horas do dia admirando a paisagem.

Seu nome era Ana, e muito se falava sobre ela pelo estranho hábito de visitar aquele lugar, que ninguém mais queria estar. Todos a conheciam como Ana do bosque, e ela não ligava, adorava aquele misterioso local e não dava ouvidos aos comentários ao seu redor. Longos eram seus cabelos, cor de ouro, que brilhavam ao bater do sol, a pele como seda, um olhar penetrante, com olhos pretos como ônix que encantavam e seduziam, faziam com que ela se tornasse ainda mais misteriosa.

Se levantando ainda sonolenta, olha ao redor e reconhece onde está, conhece o bosque como ninguém, está bem longe de casa, longa foi a caminhada na noite anterior. Aprecia um pouco mais as tonalidades do crepúsculo antes de voltar para casa.

Caminhava em direção à cidade, quando percebe algo estranho. O tempo para ao seu redor e nada mais é ouvido, apenas o completo silêncio. Folhas param em pleno ar antes de tocarem o chão. Sequer o rio é possível ouvir, mesmo estando bem perto.

- Será que ainda estou sonhando? - Pensou Ana.

Continua a caminhar lentamente, atenta a tudo ao seu redor. Um som ecoa, algo que ela não identificou. Mas tudo continua imóvel ao seu redor. Ela para e tenta ouvir o som novamente. Como em um flash tudo volta, e ao seu redor pode-se ouvir novamente os sons familiares do bosque. Ana cai atordoada e não compreende o que aconteceu.

- Definitivamente devo estar sonhando. - Reluta.

Ao se levantar percebe que nem tudo está como antes, ainda não se ouvia o som dos pássaros. Olhando para as árvores, Ana percebe que não estão em lugar algum, tenta encontrar algum pássaro, mas sem êxito.

- Teriam todos os pássaros fugido? Mas do quê estão com medo? - Questiona apreensiva.

Se apressa, no intuito de chegar mais rápido em casa, e ao se aproximar da ponte, na entrada do bosque, vê algo nas margens do rio. Não consegue identificar, apenas sabe que não é algo que já tenha visto. Não fica com medo, sente que não lhe fará mal.

Com tonalidades de azul jamais admirado por ela, se aproxima do rio e vê um pequeno ser, com lindas asas que brilhavam tanto que mal conseguia olhar fixamente. Olhando ao redor percebe dezenas de pássaros nas árvores próximas, e nota que não estavam fugindo, apenas queriam guiá-la até o ser, que parecia pedir ajuda.

- O que é você? Quem é você? - Pergunta.

Não ouve nenhuma resposta. Ana percebe que precisa ajudá-lo, mas não consegue saber como. Ela se aproxima com o intuito de tirá-lo da água. O toca, e sente como se sua energia fora sugada. Se sente fraca, não entende o que aconteceu.

- O que você fez? Quem é você? - Ana questiona sem obter resposta.

O ser se levanta, recebendo novo ar de vida. Ana então entende que fez exatamente o que ele precisava. Apenas foi preciso um toque para que ele se recuperasse. Ela pensa em perguntar novamente o que ele é, mas quando menos espera ele vai embora, deixando apenas um rastro de luz em seu caminho.

Ela não contou pra ninguém o que viveu esse dia, sabia que ninguém acreditaria. Quem era, e o que queria o pequeno ser? Talvez Ana do bosque nunca saiba. O que ela sabe é que o Bosque da Solidão talvez não seja assim tão solitário. E quem sabe quantas lendas não possuem um fundo de verdade?

Continua...
Parte 2

Verbum volat, scriptum manet
Corvo Branco

26 de novembro de 2013

Transformar


Ele vem em tons enigmáticos, perfazendo as nuances do sentimento, trazendo consigo a maestria em seus versos. Pouco dissemos, mas muito foi transmitido aos sussurros de nossa alma e ao som de nossos corações. Quem seria ele? De onde vinha? Pouco sabia sobre a misteriosa pessoa à minha frente, e que poucos segundos foram necessários para despertar algo incompreensível.

Caminho em sua direção, a timidez nos arrebata. Aos poucos conhecemos um ao outro, quem diria, tanto em comum. Semelhante eram os interesses, e a mesma vontade de amar. Pouco precisou para o primeiro beijo, apenas o silêncio é ouvido, o mundo não mais girava, o tempo parou ao nosso toque.

Mas... quem seria ele?

Muito vivemos e muito foi dito, sentimos os maiores e sublimes contrastes do amor. Entendemos que amar não nos é dado em momentos felizes apenas, mas em todos os momentos. Várias são as formas do amor, e quem ama se doa ao outro e se permite ser quem o outro precisa em cada instante.

Transformei, guiei, amparei, orientei. Doei minha essência em torno da nossa relação, e pouco recebi em troca. Aos poucos percebo que muito fiz, muito sofri, muito vivi, muito aprendi. De tantas coisas descobertas, era clara minha evolução enquanto pessoa, enquanto ser humano. Intensamente, essa palavra expressa o que vivemos. 

Mas, uma questão ainda não pude responder... quem seria ele?

Nos desentendemos, brigamos, fizemos as pazes, nos amamos novamente. Um amor que só aumentava, me fazendo ainda ter esperanças de algo. Esperanças de que? Não sei, apenas esperança. Talvez de um mundo melhor, onde exista apenas o amor entre as pessoas. Talvez apenas esperança de que nosso sentimento nunca acabe.

Um dia, sem perceber, ele veio, como sempre, mas algo aconteceu, ele se foi, deixando em mim o vazio, a lacuna em meu coração ainda aberta, como uma estaca cravada em meu peito, sem que eu pudesse remover.

Mais perguntas não soube responder. Porque se foi? Tudo o que vivemos faz parte de algo maior, não compreendemos de fato o porquê de nossas experiências, mas sabemos que isso nos será revelado em algum momento.

Mas... quem seria ele?

Ainda não posso responder essa pergunta, apenas sei que ele, bom, não sei quem é ele, mas o que vivemos sempre fará parte do meu ser, e muito devo a ele por ter me proporcionado ser feliz, mesmo que por alguns instantes.


Verbum volat, scriptum manet
Corvo Branco

25 de novembro de 2013

Admirar


A amizade é sem dúvida uma das coisas mais importantes da vida, algo incrível, construído por duas pessoas que se amam e estão unidas em um vínculo eterno.

Muitas pessoas passam por nossas vidas, muitas ficam, muitas se vão, muitas até chamamos de amigos, porém poucos são os que marcam nossos corações. Amigos verdadeiros simplesmente aparecem em nossa existência quando menos esperamos, e não nos abandonam em momento algum. Simplesmente marcam nossas almas com um toque divino, transformando, guiando, e nos ajudando nos momentos bons e ruins, sem querer nada em troca.

As lembranças passam por nossa mente e percebemos cada vez mais que não podemos mais nos separar daquela pessoa, que sem avisar rouba nosso coração com sentimentos doces e ternos. Nos faz perceber que só há um melhor amigo, realmente o melhor, que compartilha das nossas loucuras, ri das nossas piadas e nos ajuda a criar histórias malucas sobre aviões inquebráveis feitos de caixa-preta (que na verdade são laranja), tão pesados que não podiam voar e usavam molas para dar impulso, não parando nunca mais de pular e culminando assim na destruição do mundo.

Maravilhosamente boa é a vida quando temos um amigo de verdade, nos dando força para continuar nossa longa caminhada e alcançarmos o melhor de nós.

De amigos o mundo está cheio, mas amigos como você só existe um, e sou muito feliz por fazer parte da sua vida e você da minha. Talvez eu nunca tenha dito, mas eu te amo e te admiro muito, sem você eu não seria o que sou hoje, meu amigo, meu melhor amigo. Um grande abraço.

Verbum volat, scriptum manet
Corvo Branco


Despertar



Uma tarde chuvosa, um computador, e a ideia de expressar meus pensamentos de alguma forma. Essas foram as condições necessárias para criar um blog, o qual chamei de "A Catarse do Corvo".

Um nome estranho, que me veio à mente e caiu como uma luva para o que eu pensava escrever. Muitos talvez não o entendam, ou sequer se interessem em visitá-lo, mas será aqui que me manifestarei minha loucura, minhas reflexões e sentimentos. Depositarei aqui um pouco de mim, da minha alma, tentando assim entender a mim mesmo e ao mundo.
Segundo Aristóteles, a catarse refere-se à purificação das almas por meio de uma descarga emocional provocada por um drama.
O significado de catarse diz muito a respeito do blog, que simbolizará para mim essa purificação, sem roteiros e sem ideias fixas, apenas um emaranhado de palavras que talvez pareçam nada dizer, mas muito expressarei através delas.

Espero fazer desse blog não um diário, ou algo pra chamar a atenção das pessoas. Espero que eu consiga libertar minhas inspirações para que A Catarse do Corvo realmente aconteça.

Até o próximo post...

Verbum volat, scriptum manet
Corvo Branco