25 de dezembro de 2013

Renovar



Nas escrituras do destino, nas linhas que tecem nossa existência. O que sucede nossos passos estaria, talvez, pré definido? Ou estaríamos vivendo ao fruto do acaso? Muitos acreditam que o Ano Novo é sinal de renovação, mas tentar mudar algo seria em vão, se tudo já estivesse escrito? O que nos resta saber é: Por que não tentar? Por que não de novo?

Esperar novos ares do ano vindouro, prover-se de sonhos e esperanças. Mas o que define a passagem de ano, se não o calendário? Não devemos torcer para que as coisas aconteçam, e sim fazê-las acontecer.

Seja você mesmo, viva intensamente, faça tudo valer a pena. Neste Natal, compartilhe sonhos e permita-se estar em sintonia com você mesmo.

Viva o agora, corra atrás de seus sonhos, não espere que alguém vá realizá-los por você. O Ano Novo está dentro de cada um, não espere mudanças sem antes mudar a si mesmo.

Feliz Natal e um próspero Ano Novo!
=D


Verbum volat, scriptum manet
Corvo Branco

15 de dezembro de 2013

História #1: O Bosque - parte 4



Ana vê aquele lindo ser de cor azul novamente. 
- O que aconteceu? Porquê só eu posso salvá-lo?
Ela corre para não perdê-lo de vista. Se aproxima e fala com ele.
- Quem é você? De onde veio?
- Somos chamados de Os Guardiões, meu nome é Arkon e você precisa salvar nosso mundo...
- Salvar de que? O que preciso fazer?
- Você d...


- Ana! Ana! - Gabriel a acorda.

- O que aconteceu? Onde estamos? - Ela Questiona.

- Você não se lembra? Estávamos prestes a ser atacados quando fomos salvos por esse guerreiro. - Diz Gabriel ao apontar para o lado.

Ana olha e não se lembra de nada, apenas de ser empurrada pela criatura e desmaiar. Gabriel conta que logo em seguida Yankel apareceu e os salvou.

- Olá, como está se sentindo? - Pergunta Yankel.

- Estou bem. - Ana responde.

- Pode me chamar de Yan.

Yankel era um guerreiro que deixou seu povo com o intuito de tentar salvar seu mundo das forças das trevas. Tinha mais de dois metros de altura, muito forte e possuía várias cicatrizes de batalha. Tinha expressão forte e barba cerrada. Carregava consigo um enorme machado que usava em suas batalhas, e envolto em seu pescoço tinha um cordão com uma pedra vermelha que parecia arder em chamas. Apenas os grandes guerreiros o possuíam e detinha um grande poder.

Ana então se lembra do sonho que estava tendo antes de ser acordada, mas não parecia ser apenas um sonho. Ela precisava descobrir qual a sua missão. Tenta levantar e Gabriel a ajuda, ainda estava um pouco atordoada.

- Onde estamos? - Pergunta.

- Yan nos trouxe pra essa cabana. - Responde Gabriel.

- Estava abandonada e estou passando alguns dias aqui antes de seguir minha jornada. É melhor passarem a noite aqui antes de continuarem. - Diz Yan.

- Pra onde estavam indo?

- Não fazemos ideia, acabamos de chegar e sequer sabemos onde estamos. - Gabriel responde com receio.

- Então vocês não são daqui? Interessante, ninguém do outro lado jamais conseguiu atravessar pra cá. Somente criaturas mágicas tem esse dom. - Yan fala com certo espanto.

- Vocês estão em Humius. - Diz.

Um mundo repleto de maravilhas, seres mágicos e diversas criaturas exuberantes. Humius prosperou em tempos de outrora, mas com o desaparecimento dos Guardiões tudo acabou declinando e agora todos pedem socorro antes que as trevas tomem conta de tudo. Apenas um lugar permanece inalterado, o Altar da Sabedoria, um local sagrado que possui diversos segredos. Apenas os Guardiões conseguiam entrar, e era para lá que Yan estava indo, tentando obter respostas do desaparecimento dos Guardiões.

- Me fale sobre os Guardiões. - Questiona Ana.

- Os Guardiões são os seres mais bondosos e poderosos de Humius, eles mantinham a paz e guiavam todos os outros seres. Existiam 10 Guardiões, foram desaparecendo um a um. Muitos dizem que foram assassinados, mas não consigo pensar em quem teria tal poder. O último a ser visto foi o Guardião do Ar, chamado Arkon, mas infelizmente não é visto há uma semana. - Explica Yan.

Todos trocam informações e Gabriel explica tudo de como chegaram ali. Ana estava exausta e caiu no sono. Decidem então que iriam todos para o Altar da Sabedoria tentar descobrir o que aconteceu. Gabriel queria ajudar Ana, e essa era a única pista que tinham.

Continua...
Verbum volat, scriptum manet
Corvo Branco

14 de dezembro de 2013

História #1: O Bosque - parte 3


Uma semana se passara e Ana tentava obter respostas, mas a essa altura o que havia conseguido eram só mais perguntas. Entendera o que dizia o pergaminho, mas não sabia exatamente do que se tratava. Ela chegou a questionar se realmente eram pra ela aquelas palavras, mas seu nome no início do texto não deixava dúvidas.


"Ana que me curou e sua energia em mim caminha
Só você pode salvar-nos, mas não poderá sozinha
Vá até o bosque em que há tanto andou
E encontre o lugar no qual estou

Se esse lugar você encontrar
Tome cuidado em quem confiará
Poderá achar a ajuda que vai precisar
Mas além das fronteiras muito mal haverá"


Percorrendo o bosque inúmeras vezes ela não conseguiu encontrar qualquer pista. Onde viu aquele ser pela ultima vez não viu vestígio de nada que pudesse ajudá-la. Até que um pássaro pousa em sua frente. Ana o observa e nada nota de diferente, apenas um pássaro procurando por galhos secos para seu ninho. Se lembra então do dia que viu pela primeira vez aquele ser, e se dá conta de algo muito importante que havia deixado de lado.

- Os pássaros! - Diz Ana ao ter uma ideia.

Ela corre em direção à cidade, vê algumas pessoas caminhando pelo bosque mas os ignora. Chegando em casa vai direto ao sótão e pega uma caixa empoeirada, guardada há anos. Várias coisas haviam naquela caixa, mas ela queria algo específico.

- Isso deve servir. - Pensa.

Volta ao bosque e se prepara, em dúvida se funcionaria. Um amigo que andava por ali se aproxima e não entende o que ela faz.

- Oi Ana, o que está fazendo? - Pergunta.

- Olá Gabriel. Nada de mais, só um teste. - Ana responde.

Gabriel era da mesma idade de Ana, se conheceram pouco depois que Ana viu aquela misteriosa criatura no bosque, quando ele se mudou para a cidade, e desde então se tornaram melhores amigos. Era magro, usava óculos, com a barba por fazer e cabelos atrapalhados, sempre foi meio desleixado, era muito inteligente e constantemente ajudava Ana na época de escola. Sempre teve por ela um sentimento além da amizade, mas nunca teve coragem em dizer.

Ambos se conheciam muito bem, e Gabriel percebeu no olhar de Ana que se tratava de algo importante. Ficou observando o que ela fazia curioso.

- Estive preocupado com você, não te vejo desde o dia que nevou. - Diz Gabriel.

- Eu estava resolvendo umas coisas.

Ele nota que ela não está querendo conversa, e apenas fica a observando enquanto ela termina de arrumar as coisas.

- Tudo pronto. - Ela diz.

- Será que é alguma ocasião especial? - Gabriel pensa sem entender do que se trata.

Ana havia lembrado que ainda tinha alguns fogos artesanais de ano novo, que há tempos ficaram guardados e foram feitos por seu pai, esperava que pudessem espantar os pássaros e que eles a guiassem ao seu destino. Foi então que ela os acende, e ambos aguardam a explosão. Lindos fogos multicoloridos embalam os céus com escalas de vermelho e amarelo. A luz do dia não foi capaz de mascarar a beleza de sua luminescência.

Dezenas de pássaros se dissipam pelos céus e Ana fica apreensiva, não parecia estar funcionando. Até que todos começam a voar em uma única direção, e sem exitar ela corre para acompanhá-los.

- Espere por mim! - Diz Gabriel que já corria atrás dela.

Exaustos, eles chegam em um lugar nunca visto por Ana, uma árvore muito grande e sem folhas, com cor acinzentada, mas não estava morta, eles podiam sentir a energia que emanava dela. Todos os pássaros estavam ao seu redor, e saíram quando os dois de aproximaram.

Gabriel então percebe algo estranho, e chama a atenção de Ana para o que via.

- O que é isso? - Ele diz com receio.

Se aproximam e descobrem o que parece ser uma passagem por entre os ganhos da obscura árvore. Brilhava com tonalidades de azul semelhantes às que Ana já havia visto, não exita e entra no misterioso portal. Gabriel a acompanha, e pergunta do que se trata tudo aquilo.

Eles saem num lugar completamente sombrio e sem vida, ela almejando encontrar as respostas de que precisava, percebeu que ali era o lugar certo. Andam um pouco e param escondidos em alguns arbustos para que Ana pudesse contar tudo que aconteceu para seu amigo, sabia que a ajuda dele seria fundamental.

Ela terminava de contar os fatos a Gabriel, quando ouvem passos. Um som pesado, presumiram que era alguma coisa grande. Ficam muito assustados quando a criatura chega perto deles, não parece ser amigável. Era três vezes o tamanho deles, mas não parecia com nada que eles já tinham visto. Com uma pele lisa e em tons verde escuro, grandes dentes e garras assustadoras, seus olhos eram brancos e pareciam emanar luz própria, soltava um rugido extremamente alto e ameaçador.

- O que faremos agora? - Sussurra Ana.

- Não faço a menor ideia. - Gabriel fala com temor.


Continua...
Parte 4


Verbum volat, scriptum manet
Corvo Branco

30 de novembro de 2013

História #1: O Bosque - parte 2



Muitos anos se passaram. Crianças brincam entre as árvores e mal sabem sobre as lendas que por ali pairavam, ficando esquecidas ao decorrer do tempo. No emaranhado de árvores muitas flores cresceram, formando deslumbrantes jardins e tirando o ar sombrio que um dia já foi predominante.

Ana perdera a cor de seus cabelos, não era mais jovem como antes e suas visitas ao bosque ficaram cada vez menos contantes, não se sentia mais completa quando estava lá. As pessoas, o novo ar e as novas paisagens a fizeram apenas desistir de seu lugar preferido, porém ela nunca se esqueceu do que aconteceu naquele dia.

Um dia comum, como outro qualquer naquela admirável cidade. A não ser pelas vozes que a fizeram acordar. Não compreende o que está acontecendo, algo parece perturbar as pessoas na rua. Ela vai até sua janela e observa para tentar obter respostas. Fica sem palavras para o que vê.

- Como isso é possível? - Diz Ana completamente admirada.

Ao colocar um casaco e ir para a varanda, vê dezenas de pessoas nas ruas, também admirando o fabuloso acontecimento, nunca antes visto naquela região.

- Nunca nevou por aqui, isso é fantástico! - Exclama com espanto.

- Dona Ana, olha que legal. Neve! - Fala de longe uma menina.

- Sim, é realmente maravilhoso querida. - Responde Ana.

Ela então caminha, analisando cada parte da cidade coberta pela neve, e quando menos percebe, chega a entrada do bosque. Para perto da ponte onde vira aquela inexplicável criatura, se lembra como se fosse ontem.

- Há quantos anos não venho aqui... será que um dia o verei novamente?

Entrando no bosque percebe que não há ninguém ali. Talvez pelo improvável evento, todos ficaram muito entusiasmados e sequer queriam sair de seus quintais. Ela nota então que a neve não só cobriu tudo de branco, como cobriu seu coração de sensações. O bosque não estava como antes, da forma que ela o adorava, mas esses novos tons claros fizeram despertar nela o mesmo sentimento que podia sentir quando era jovem. Se sentia em casa, e só queria aproveitar aquele momento.

Eram numerosas as lembranças daquele lugar, das noites que caiu no sono ali mesmo enquanto ouvia apenas o leve som dos pássaros e o majestoso rio percorrendo a sinuosidade dos seus caminhos. Estava emaranhada por recordações quando percebe algo que a deixa atordoada e completamente entusiasmada.

- Essa sensação... tudo como naquele dia. - Pensa admirada.

Ao seu redor flocos de neve pairam em pleno ar, e ela sabe o que estava acontecendo. Aquele estranho ser estava por ali, e ela precisava encontrá-lo. Ana olha em todas as direções, mas não consegue ver nada. Sua visão começa a ficar estranha, até que tudo fica escuro e, sem perceber, ela desmaia.

Ela acorda e vê o brilho da lua no céu, não sabe por quanto tempo dormiu e fica preocupada com o que pode ter acontecido. Até que percebe uma luz distante e vai ao seu encontro.

Se aproxima e defronta-se com o deslumbre em vê-lo novamente. Ana fica perplexa com sua beleza e se esquece de qualquer coisa. Mas algo está errado, percebe que ele está fraco, mas antes que ela possa fazer algo, seu corpo se desfaz em luz e desaparece por completo. Ela percebe o que aconteceu, e fica triste por não poder fazer mais nada. O ser morre bem na sua frente, sem que ela sequer saiba quem ele é.

Logo a neve começa a se desfazer e o bosque ganha vida novamente. Mesmo com o escurecer da noite foi possível ver as flores renascendo à sua volta. Foi então que Ana percebeu a ligação que havia entre o bosque e a criatura. Quando estava doente, o bosque estava sombrio, até que o ajudou e então o bosque ganhou luz e vida. Agora nevara pois ele estava partindo, e talvez não houvesse nada que ela pudesse fazer.

- Seria apenas uma criatura que vive no bosque? Porque teria uma ligação tão forte com este lugar? - Pensa.

Talvez fosse algo mais, Ana não fazia ideia. No chão onde ele estava ainda havia vestígios de sua luz em tonalidade azul, Ana ficou a observar enquanto levemente desaparecia. Até que percebe algo no chão, um pequeno pergaminho.

- Um pergaminho? Será que é uma mensagem? - Ana olha desconfiada.

Abre e observa o que há naquele misterioso documento, porém não entende o que está escrito, com certeza é um dialeto nunca antes visto por ela. As letras eram douradas e pareciam saltar do papel, era uma visão incrível. Apesar de não conseguir lê-lo, sabia que teria que decifrá-lo se quisesse obter respostas. Quem sabe a chave para todos os mistérios estivesse ali.

Voltou pra casa e colocou o pergaminho sobre a mesa, tentando analisá-lo de todas as formas, mas não conseguiu pensar em nada que pudesse ajudar a solucioná-lo. Adormeceu enquanto o observava, e não pôde ver quando um feixe de luz branca inacreditavelmente sai dele e as letras saltam para todos os lados. Ela acorda assustada e admira o que vê. Podia ver a mensagem por todos os lados, e agora conseguia entendê-la.

- Então é mesmo uma mensagem, preciso descobrir porque ele a deixou pra mim. - Ana diz entusiasmada.

Continua...
Parte 3

Verbum volat, scriptum manet
Corvo Branco

27 de novembro de 2013

História #1: O Bosque - parte 1



Era possível ouvir o som do vento nos galhos, o leve canto dos pássaros na imensidão das árvores. O rio cortando por entre a mata era o mais inquieto dos sons, construindo caminhos com seu véu de águas e dividindo em dois aquele incrível lugar.

Um beija-flor se aproxima da flor em seu cabelo, e em um toque singelo a faz despertar. Mais uma vez caiu no sono e não viu o tempo passar. O sol nascera, e percebeu que mais uma noite passou deitada em meio ao emaranhado de folhas.

O Bosque da Solidão, como era chamado, por ficar quase sempre abandonado. Poucos moravam naquela região, ali havia uma pequena cidade, e apenas ela se atrevia a ir lá. Era um lugar sombrio, e muitos acreditavam ser um lugar amaldiçoado. Muitas lendas haviam ao redor daquela floresta, mas ela pouco se importava, sentia-se completa quando estava lá, e passava horas do dia admirando a paisagem.

Seu nome era Ana, e muito se falava sobre ela pelo estranho hábito de visitar aquele lugar, que ninguém mais queria estar. Todos a conheciam como Ana do bosque, e ela não ligava, adorava aquele misterioso local e não dava ouvidos aos comentários ao seu redor. Longos eram seus cabelos, cor de ouro, que brilhavam ao bater do sol, a pele como seda, um olhar penetrante, com olhos pretos como ônix que encantavam e seduziam, faziam com que ela se tornasse ainda mais misteriosa.

Se levantando ainda sonolenta, olha ao redor e reconhece onde está, conhece o bosque como ninguém, está bem longe de casa, longa foi a caminhada na noite anterior. Aprecia um pouco mais as tonalidades do crepúsculo antes de voltar para casa.

Caminhava em direção à cidade, quando percebe algo estranho. O tempo para ao seu redor e nada mais é ouvido, apenas o completo silêncio. Folhas param em pleno ar antes de tocarem o chão. Sequer o rio é possível ouvir, mesmo estando bem perto.

- Será que ainda estou sonhando? - Pensou Ana.

Continua a caminhar lentamente, atenta a tudo ao seu redor. Um som ecoa, algo que ela não identificou. Mas tudo continua imóvel ao seu redor. Ela para e tenta ouvir o som novamente. Como em um flash tudo volta, e ao seu redor pode-se ouvir novamente os sons familiares do bosque. Ana cai atordoada e não compreende o que aconteceu.

- Definitivamente devo estar sonhando. - Reluta.

Ao se levantar percebe que nem tudo está como antes, ainda não se ouvia o som dos pássaros. Olhando para as árvores, Ana percebe que não estão em lugar algum, tenta encontrar algum pássaro, mas sem êxito.

- Teriam todos os pássaros fugido? Mas do quê estão com medo? - Questiona apreensiva.

Se apressa, no intuito de chegar mais rápido em casa, e ao se aproximar da ponte, na entrada do bosque, vê algo nas margens do rio. Não consegue identificar, apenas sabe que não é algo que já tenha visto. Não fica com medo, sente que não lhe fará mal.

Com tonalidades de azul jamais admirado por ela, se aproxima do rio e vê um pequeno ser, com lindas asas que brilhavam tanto que mal conseguia olhar fixamente. Olhando ao redor percebe dezenas de pássaros nas árvores próximas, e nota que não estavam fugindo, apenas queriam guiá-la até o ser, que parecia pedir ajuda.

- O que é você? Quem é você? - Pergunta.

Não ouve nenhuma resposta. Ana percebe que precisa ajudá-lo, mas não consegue saber como. Ela se aproxima com o intuito de tirá-lo da água. O toca, e sente como se sua energia fora sugada. Se sente fraca, não entende o que aconteceu.

- O que você fez? Quem é você? - Ana questiona sem obter resposta.

O ser se levanta, recebendo novo ar de vida. Ana então entende que fez exatamente o que ele precisava. Apenas foi preciso um toque para que ele se recuperasse. Ela pensa em perguntar novamente o que ele é, mas quando menos espera ele vai embora, deixando apenas um rastro de luz em seu caminho.

Ela não contou pra ninguém o que viveu esse dia, sabia que ninguém acreditaria. Quem era, e o que queria o pequeno ser? Talvez Ana do bosque nunca saiba. O que ela sabe é que o Bosque da Solidão talvez não seja assim tão solitário. E quem sabe quantas lendas não possuem um fundo de verdade?

Continua...
Parte 2

Verbum volat, scriptum manet
Corvo Branco

26 de novembro de 2013

Transformar


Ele vem em tons enigmáticos, perfazendo as nuances do sentimento, trazendo consigo a maestria em seus versos. Pouco dissemos, mas muito foi transmitido aos sussurros de nossa alma e ao som de nossos corações. Quem seria ele? De onde vinha? Pouco sabia sobre a misteriosa pessoa à minha frente, e que poucos segundos foram necessários para despertar algo incompreensível.

Caminho em sua direção, a timidez nos arrebata. Aos poucos conhecemos um ao outro, quem diria, tanto em comum. Semelhante eram os interesses, e a mesma vontade de amar. Pouco precisou para o primeiro beijo, apenas o silêncio é ouvido, o mundo não mais girava, o tempo parou ao nosso toque.

Mas... quem seria ele?

Muito vivemos e muito foi dito, sentimos os maiores e sublimes contrastes do amor. Entendemos que amar não nos é dado em momentos felizes apenas, mas em todos os momentos. Várias são as formas do amor, e quem ama se doa ao outro e se permite ser quem o outro precisa em cada instante.

Transformei, guiei, amparei, orientei. Doei minha essência em torno da nossa relação, e pouco recebi em troca. Aos poucos percebo que muito fiz, muito sofri, muito vivi, muito aprendi. De tantas coisas descobertas, era clara minha evolução enquanto pessoa, enquanto ser humano. Intensamente, essa palavra expressa o que vivemos. 

Mas, uma questão ainda não pude responder... quem seria ele?

Nos desentendemos, brigamos, fizemos as pazes, nos amamos novamente. Um amor que só aumentava, me fazendo ainda ter esperanças de algo. Esperanças de que? Não sei, apenas esperança. Talvez de um mundo melhor, onde exista apenas o amor entre as pessoas. Talvez apenas esperança de que nosso sentimento nunca acabe.

Um dia, sem perceber, ele veio, como sempre, mas algo aconteceu, ele se foi, deixando em mim o vazio, a lacuna em meu coração ainda aberta, como uma estaca cravada em meu peito, sem que eu pudesse remover.

Mais perguntas não soube responder. Porque se foi? Tudo o que vivemos faz parte de algo maior, não compreendemos de fato o porquê de nossas experiências, mas sabemos que isso nos será revelado em algum momento.

Mas... quem seria ele?

Ainda não posso responder essa pergunta, apenas sei que ele, bom, não sei quem é ele, mas o que vivemos sempre fará parte do meu ser, e muito devo a ele por ter me proporcionado ser feliz, mesmo que por alguns instantes.


Verbum volat, scriptum manet
Corvo Branco

25 de novembro de 2013

Admirar


A amizade é sem dúvida uma das coisas mais importantes da vida, algo incrível, construído por duas pessoas que se amam e estão unidas em um vínculo eterno.

Muitas pessoas passam por nossas vidas, muitas ficam, muitas se vão, muitas até chamamos de amigos, porém poucos são os que marcam nossos corações. Amigos verdadeiros simplesmente aparecem em nossa existência quando menos esperamos, e não nos abandonam em momento algum. Simplesmente marcam nossas almas com um toque divino, transformando, guiando, e nos ajudando nos momentos bons e ruins, sem querer nada em troca.

As lembranças passam por nossa mente e percebemos cada vez mais que não podemos mais nos separar daquela pessoa, que sem avisar rouba nosso coração com sentimentos doces e ternos. Nos faz perceber que só há um melhor amigo, realmente o melhor, que compartilha das nossas loucuras, ri das nossas piadas e nos ajuda a criar histórias malucas sobre aviões inquebráveis feitos de caixa-preta (que na verdade são laranja), tão pesados que não podiam voar e usavam molas para dar impulso, não parando nunca mais de pular e culminando assim na destruição do mundo.

Maravilhosamente boa é a vida quando temos um amigo de verdade, nos dando força para continuar nossa longa caminhada e alcançarmos o melhor de nós.

De amigos o mundo está cheio, mas amigos como você só existe um, e sou muito feliz por fazer parte da sua vida e você da minha. Talvez eu nunca tenha dito, mas eu te amo e te admiro muito, sem você eu não seria o que sou hoje, meu amigo, meu melhor amigo. Um grande abraço.

Verbum volat, scriptum manet
Corvo Branco


Despertar



Uma tarde chuvosa, um computador, e a ideia de expressar meus pensamentos de alguma forma. Essas foram as condições necessárias para criar um blog, o qual chamei de "A Catarse do Corvo".

Um nome estranho, que me veio à mente e caiu como uma luva para o que eu pensava escrever. Muitos talvez não o entendam, ou sequer se interessem em visitá-lo, mas será aqui que me manifestarei minha loucura, minhas reflexões e sentimentos. Depositarei aqui um pouco de mim, da minha alma, tentando assim entender a mim mesmo e ao mundo.
Segundo Aristóteles, a catarse refere-se à purificação das almas por meio de uma descarga emocional provocada por um drama.
O significado de catarse diz muito a respeito do blog, que simbolizará para mim essa purificação, sem roteiros e sem ideias fixas, apenas um emaranhado de palavras que talvez pareçam nada dizer, mas muito expressarei através delas.

Espero fazer desse blog não um diário, ou algo pra chamar a atenção das pessoas. Espero que eu consiga libertar minhas inspirações para que A Catarse do Corvo realmente aconteça.

Até o próximo post...

Verbum volat, scriptum manet
Corvo Branco